No final dos anos 1970, em meio ao desgaste do regime militar e ao agravamento da crise econômica, o movimento sindical brasileiro ganhou força com as greves realizadas pelos metalúrgicos do ABC Paulista. Liderados por Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, milhares de trabalhadores desafiaram o arrocho salarial imposto pela ditadura, que corroía ano após ano o poder de compra da classe operária.
As mobilizações começaram de forma espontânea em 1978 e atingiram seu auge em 1979, quando cerca de 200 mil metalúrgicos paralisaram grandes fábricas como Volkswagen, Ford, Mercedes-Benz e Scania. A principal pauta era a reposição salarial diante da manipulação dos índices de inflação pelo governo militar. As greves, consideradas ilegais pela Justiça, sofreram intervenção federal nos sindicatos, mas a repressão não impediu que o movimento se reorganizasse.
Lula tornou-se um dos rostos mais conhecidos da resistência trabalhadora ao se recusar a recuar diante das pressões do governo. Assembleias históricas na Vila Euclides reuniam milhares de operários e eram símbolo da força sindical. Com apoio da sociedade civil, da Igreja Católica e de diversos artistas e intelectuais, os trabalhadores criaram um fundo de greve que garantiu a continuidade da paralisação.
As vitórias conquistadas — como o reajuste salarial de 63% — impulsionaram uma nova fase do sindicalismo brasileiro, contribuindo diretamente para a futura criação da CUT e fortalecendo o processo de redemocratização. As lutas lideradas por Lula e pelos metalúrgicos do ABC se tornaram marcos decisivos na transição do Brasil para um período de maior participação política e direitos sociais.





