Entre 1964 e 1985, o Brasil viveu uma ditadura que restringiu liberdades e perseguiu opositores em nome da “segurança nacional”. O golpe militar instaurou censura, prisões arbitrárias e um sistema de repressão que espalhou o medo. Nesse cenário, direitos foram negados e a voz do povo silenciada.
A Doutrina de Segurança Nacional legitimava a violência do Estado em nome da proteção contra inimigos internos. Surgiram órgãos como o SNI, o DOPS e o DOI-Codi, responsáveis por prender e torturar opositores. A tortura tornou-se instrumento político, usada para destruir movimentos sociais e silenciar qualquer voz dissidente.
Folha da Tarde chamava militantes políticos de “facínoras”, “assassinos”, “maníacos” e “loucos”
Durante a ditadura, milhares foram presos e torturados. O jornalista Vladimir Herzog foi morto em 1975, com o crime disfarçado de suicídio. O estudante Alexandre Vannucchi Leme morreu sob tortura em 1973, e o regime alegou acidente.
O ex-deputado Rubens Paiva foi sequestrado em 1971 e nunca mais visto. Seu corpo desapareceu, e o regime criou uma farsa para esconder o assassinato. O filme Ainda Estou Aqui (2025) revive a luta de sua esposa, Eunice Paiva, que enfrentou o silêncio da ditadura em busca da verdade — símbolo da resistência e da dor de tantas famílias.
Foto da família Paiva tirada para a revista Manchete em 1971 e recriada pelo filme 'Ainda estou aqui'
Durante a ditadura, direitos fundamentais foram ignorados. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, que proíbe tortura e prisões arbitrárias, foi violada todos os dias. Estudantes, jornalistas e trabalhadores foram perseguidos e censurados apenas por pensarem diferente, num país dominado pelo medo e pela injustiça.
Mesmo com censura e repressão, vozes corajosas denunciaram abusos. A Igreja, artistas e intelectuais revelaram as torturas. O Projeto Brasil: Nunca Mais (1985) reuniu provas dos crimes, e a Comissão Nacional da Verdade (2012) confirmou que a violência era parte da estrutura do Estado. Preservar essa memória é lutar por justiça e democracia.
Imagem de um protesto durante a ditadura contra o fim das torturas e assassinatos.
A cultura foi um refúgio e um ato de coragem. Canções de Chico Buarque, Elis Regina e Geraldo Vandré ecoaram como protestos. O show Banquete dos Mendigos (1973), em homenagem à Declaração dos Direitos Humanos, reuniu artistas e público em um grito coletivo pela liberdade, mostrando que a arte sobrevive até sob o silêncio imposto.
Chico Buarque na Passeata dos Cem Mil (1968)
Relembrar a ditadura é um dever de todos. A democracia nasce do reconhecimento das feridas e da valorização da liberdade. Conhecer a história das vítimas é garantir que o autoritarismo e a tortura nunca mais retornem. A memória é a nossa maior arma contra o esquecimento e a injustiça.





